texto: Maria Fernanda Gomes | fotos: Andrew O’Toole, Ivo Rikkert, divulgação e MCB2010 – D. Adam
Rihanna, Kelly Osbourne e Guilhermina Guinle se renderam a ele e até David Beckham já usou. Mas o undercut – corte que deixa a cabeça parcialmente raspada – ganhou fama em território nacional ao fazer parte do estilo da modelo brasileira Alice Dellal.
À primeira vista, o estilo parece ser destoante, e para os desavisados pode até parecer um erro. Mas erro não é o caso dessa tendência. Ela nada mais é do que raspar uma ou ambas as laterais da cabeça (undershaved) ou cortá-las rente ao couro cabeludo (undercut), deixando os fios do topo mais compridos. O toque especial fica por conta do tamanho dos cabelos restantes.
A ousadia não vem de hoje. Ela foi inspirada no visual do cantor inglês David Bowie, que fez sucesso nos anos 1970 e 1980. Agora, os looks deixaram de ser contestadores para se tornarem refinados. Daniella Issa Helayel, estilista da grife Issa London, também aderiu à tendência, como se pôde ver no desfile de sua coleção de outono de 2010, em Londres.
Não existem restrições a essa moda. Tudo depende da estilização do corte. Os homens geralmente o fazem mais marcado, as mulheres preferem pontas mais compridas. Em relação à idade, a diferença está no comprimento da faixa maior: para as mais novas, longuíssimo; para as maduras, comportado.
Feitas as devidas ressalvas, o cabeleireiro inglês John Santilli, coordenador educacional da BSG, diz que aderir ao visual é mais uma questão de estilo do que de idade. Para ele, o look é ideal para quem quer algo diferente. A ousadia também depende da técnica. Com uma tesoura texturizadora, o corte fica limitado; com uma máquina de corte, o fio fica curto; e com uma tesoura navalhada, consegue-se
um efeito “positivo-negativo”.
Apesar das restrições feitas por Tiago, o corte é versátil o suficiente para combinar com diversos tipos de franjas e formatos de rosto. De acordo com Ricardo Chamorro, profissional que faz parte do seleto grupo de artistas da Redken, em faces quadradas, deve-se deixar uma mecha vertical sobre o lado raspado para harmonizar o conjunto. “Além de comercial, é um estilo que inspira possibilidades.
Se, em vez de raspar, a gente aparar as laterais com uma tesoura texturizadora, o look para o dia a dia está garantido. Para a noite, dá para montar um moicano chique e provocativo com pasta modeladora”, diz. Outra forma de dar um toque pessoal ao corte é brincar com texturas e cores. “O ideal é optar por colorações monocromáticas que acompanhem a cor natural do cabelo. Por ser um corte de impacto, não convém chamar a atenção com a cor”, explica Tiago. Para quem tem a intenção de chocar, o mercado está cheio de colorações temporárias e permanentes.
Se mesmo assim a adaptação for difícil, nem tudo está perdido! Além da opção de deixar os fios crescerem, existem outras, como mudar o comprimento ou o tipo da franja, fazer luzes ou tingir o cabelo completamente. No caso dos cabelos longos, diminuir a diferença de comprimento entre o topo e a parte raspada é uma ótima ideia.
John Santilli ensina como amplificar o poder do corte parcialmente raspado.
“Para fazer o corte, é necessário considerar a estrutura óssea da cabeça, tendo como base o osso que divide as laterais e o topo.” “Um dos segredos é ter as laterais muito bem aparadas e mantê-las assim.”
“Cabelos presos no alto concedem jovialidade à proposta.”
“Para inovar, basta fazer desenhos com o auxílio da máquina de corte.”
“A parte raspada deve ter a mesma cor ou ser mais escura que o cabelo.”
“Com um lindo coque banana, o visual vai ficar tudo, menos básico!”
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